segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Manual de sobre vivência

Calado, sentido.
1 - Não sinta, não chore, não ame. Isso não é um hospício, isso é a vida.
2 - Você não tem o direito de guardar recordações, principalmente as ruins.
3 - Você não tem motivos para chorar, sua vida está divinamente em ordem, não vê?
4 - Se estiver custando a acreditar que pessoas vão embora e se perdem na neblina da eternidade, saia daqui. Você não é bem vindo.
5 - Não viva, sorria. Ah, sorria para esconder sua face fétida, sua alma podre, seu coração sujo.
6 - Lembre que problemas não são nada perto da felicidade que a vida nos proporciona. Tudo bem que você seja feliz à custa dos outros. Se hoje ele é seu amigo, amanhã ele não será. E de melhores amigos, o mundo está cheio. A vida é sua e você está sozinho nisso tudo, não aprofunde suas relações – é o pior de todos os crimes.
Mas eu nunca fui de seguir regras, nem leio manuais.
Eu amo almas porque amo, não porque quero ninar meu ego.
Se esse é o sentido da palavra amizade, eu aprendi errado.
E você?
Eu acredito em palavras e fonemas, e guardo comigo todos os sorrisos sinceros.
Perdão se me enganei. Eu não quero me satisfazer.
Tudo que peço é que não me ensine a sobreviver, ensine-me a morrer a cada dia.

sábado, 20 de novembro de 2010

Alquimia

Os ponteiros do relógio pararam quando ouviram o elevador fechar. Logo em seguida, seu rosto sumiu enquanto seus lábios diziam que me amava, e eu sentia que ali seria a última vez que teria seu rosto para mim. O elevador descia os andares de seu apartamento, e minha mente subia pelas escadas até o oitavo andar. Pra te beijar, te tocar e te guardar dentro de mim.
Mas o fim chegou, o elevador parou e o tempo correu de trás para frente.
Fiz um livro de comédia dramática sobre nós dois dentro do espaço sobre o tempo, velocidade.
Esqueci-me que o tempo havia parado quando cheguei ao chão e fui levando meu barco no ritmo da maresia, da brisa suave que tocava o sino de todas as manhãs nebulosas.
Fui interrompido quando vi seus lábios me dizerem que beijavam outros.
Entrei na pior das tormentas quando vi seus lábios sorrindo com um outro alguém.
Caí no mar da noite quando nossos olhos se encontraram e vi você me dizer que ainda me amava, que não estava sendo sincero.
Muito tarde, muito tarde.
O que farei com a tristeza que o tempo me traz?
Tristeza é solúvel em álcool.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vitamina

O café, o piano, a janela, o fim de tarde, os pássaros e minha mente. O silêncio do fim do sol no céu multicolorido desenhava a minha consciência, que oscilava entre o ir e o ficar. O piano melancólico rogava para que eu ficasse, que ali era um árduo caminho, mas no fim, tudo acabaria como eu sempre sonhei um dia. O sol dizia para eu ir. Ir de encontro aos pássaros que voavam em liberdade, em bandos pretos rasgando o céu da tarde rosa, colecionando os sorrisos honestos das meninas do parque, dos amantes na roda gigante, da felicidade da volta, do fim do final.
Desculpa, meu piano. Não posso manter minha mente naquilo que já não existe dentro de mim, naquilo que me machuca a todo instante, porém nunca deixarei de te carregar.
Desculpa, sol. Não posso seguir o caminho da liberdade quando todos nós estamos presos a um inferno solar, digitado. Entretanto, carregarei comigo aquele raio que atingiu minha retina. Sim, eu aceito o novo.
Quero constituir-me do velho e do novo, do triste e do alegre, que é para não faltar poesia, não faltar alegria, nem tristeza. Que é pra não faltar sorriso, não faltarem lágrimas, não faltar amizade, muito menos amor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Boa Sorte

Era pra eu ter marcado a sua vida, não você a minha.
Eu ia e vinha como o vento, como a areia que alisa o rosto no fim da tarde.
Você veio, você começou, você terminou.
Espera. Era para eu ter ido, começado e terminado, não?
Às avessas, como sempre.
Seguiremos caminhos opostos, afastaremos nossos corações, mas cantaremos sempre a mesma canção. Aquela canção que soava nas escadas dos passos apressados e sorrisos envergonhados. Aquela canção afogada num suspiro tímido, na bochecha rosada, no gemido censurado.
Era pra você ter marcado a minha vida, não eu a sua.
Estamos marcados, amigo.
Boa sorte.