domingo, 24 de outubro de 2010

Suicídio

Hoje cometi um crime – matei um homem.
Um homem que não sabia nada sobre medo nem sobre as ondas
Um homem que estava preso à inocência de acreditar na eternidade
Um homem que acabara de perder o último fio de sanidade mental
Um homem que trocava o corpo por um último gole desesperado de amor
Um homem que mesmo depois de morto, não soube aproveitar o instante
Um homem que morava dentro de outro homem
Um homem que perdeu a inocência aos seis anos de idade
Um homem que praticava a autocensura, honestamente, digamos
Um homem carente de afago
Um homem que apanhava e se humilhava
Um homem que via a esperança de dias melhores em cada olhar fraterno
Um homem que tinha medo do que os outros olhos viam nele
Um homem que sentia o sexo aflorar quando exposto a mentes conturbadas
Um homem que era capaz de matar alguém por orgulho, por amor
Matei-o. A partir de agora não há mais ordens, somos só nós dois. Eu e você, você e eu
Revivi-o. Algumas coisas nunca mudam, não morrem. Somos só nós dois. Eu e você, você e eu
Insano, bipolar, eu havia assassinado
Eu não matei ninguém

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