sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sob a lua

Dentro de uma figura distante, pintava-se com a mais bela das aquarelas uma cena que punha o amor em evidência, em posição de luta. Óleo sobre a tela, eles sentavam no banco de uma praça banhada ao luar. Ele a abraçava por trás e abaixava a cabeça sobre seu ombro enquanto ela olhava o horizonte numa cena estática. Aquela dança atípica sobre as estrelas despertava o amor mais puro que existia dentro de cada pessoa que os vissem, como o meu. Mas a explosão não coube na tela, e os personagens começaram o movimento.
Ela pôs a mão sobre a cabeça dele e iniciou um cafuné interminável, inalcançável. Seu cabelo caía sobre o rosto, cobrindo seus olhos e metade da boca. A constatação do encontro de duas almas feitas uma para a outra aconteceu quando do rosto dela, brotou o sorriso dos mais sinceros que alguém já poderia ter visto. Dento daquele instante, notava-se a tradução da felicidade. O sorriso que dizia que ali era o lugar dela, que dizia para não sair dali jamais, que dizia a besteira que cometera ao tentar não admitir que aquilo era tudo o que ela queria.
Enquanto isso, ele segurava a amante pela cintura. Segurava para que ela não fosse embora nunca mais, para que aquela chegada ao oásis continuasse pelo resto da vida. Era alívio, era gratidão, era felicidade, era amor.
Ninguém atrapalharia aquele momento. Eu, como bom escritor e amante dos amantes, quero fazer desse momento inesquecível para mim tanto quanto será inesquecível para eles.

Um comentário:

  1. ''Ela pôs a mão sobre a cabeça dele e iniciou um cafuné interminável, inalcançável.'' OWN . È emocionante de se ler.

    ResponderExcluir