quinta-feira, 26 de agosto de 2010

No Casulo

Tornar-se-á ato vergonhoso
Admitir que se ama todo o corpo
Vetar-me-ei de desejos os quais
Todos possuem, mas poucos admitem.

Tornar-me-ei gelo que arde no frio
Apenas como casca, como capa
Há ainda, percorrendo em minhas veias,
Grande fogo que queima de vontade

Vontade de sair.

Cafuné

Deitados numa rede, queria contar-te a minha vida. Aquela que nunca foi, um dia, digna de um final hollywoodiano. Não quero, assim, me lamentar. Desejo apenas que aprenda comigo todos os espinhos desta nova vida que descobristes.

Quero que aprenda que o amor pertence aos loucos. Ai, os loucos! Acabam assim: protegendo um pedaço de carne como se esse fosse o resto do último pedaço de paz.

Cuidado ao dobrar a esquina, ao atravessar a rua. Erra enquanto eu ainda nutrir essa desesperada esquizofrenia por ti, pois ao encontrar-me com um novo amor, menino, ficarás sozinho nesta insanidade abstrata. Só como um filhote recém-nascido sem sua mãe para acompanhar-lhe os passos.

Enfim, peço que não te esqueces daquilo que há dentro de ti, nem do que há dentro de mim, pois a mim só resta a vaga esperança de um ponto final nos “nós” paradoxais.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Para Noia

Pensar em cortar em pedaços
Toda a sonolência rotineira.

Traga-me o grito das manhãs
Que desperta do tédio, do cansaço
Traga-me dois copos de água
Um dedo de vida, três pesadelos.

E essa confusão, é só ilusão
É só o temor de pensar que
Um dia tudo virá e passará
(Entre os meus dedos)
Como lâminas suaves que decepam
Todo o amarelo de meus dentes.

Amarelo sai
Verde entra.

Arrombaram a porta dos fundos
E eu sei que você chegou.

Grosso modo

Identidades múltiplas, mente conflituosa, aparência contraditória.

Assumir-se virou um fardo de causa e conseqüência.

Raridades talvez não sejam mais o foco de alguns. Querer o arquetípico, padrão.
Pena de mim que sou poeta e tenho palavras que sejam só minhas.

Gostar de preencher páginas em branco, ter medo de aceitar o novo e perder aquela essência que é guardada a sete chaves. A fraqueza é tanta que preciso de rascunhos para lembrar de puxar constantemente as pelancas murchas do dedo.

Lembrar de não esquecer. Esquecer de lembrar. Lembrar de, ao lembrar, não chorar. Esquecer de, ao chorar, lembrar da falta que faz. A falta do que nunca foi um dia. Um dia marcado, porém fútil.

Esquecer da solidão que dá quando ninguém entende a dor que é lembrar de buscar a eternidade no momento em que demos as mãos.