quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bom Dia

Esse é o momento em que escuto cada ruído como se fossem canções de ninar e adormeço no momento efêmero de acordar. O momento em que cada cheiro se transforma em perfumes do campo, e minha mente percorre todos os degraus de sua escada.
Encontro você.
Olhando-me como uma criança que chora por carinho e rejeita a minha mão que um dia te afagou.
A criança sou eu, não você.
Eu molhado da chuva, você em poucas roupas, eu bato em sua porta, você abre. Tocamos os lábios. É bom fingir que nada aconteceu, fingir que não senti vontade de invadir sua casa enquanto você dormia, arruinar sua vida e matar seu outro homem, porque eu sou seu único homem. Pena tudo isso ser apenas fruto de minha imaginação doentia – doente por você, por nós.
Preocupe-se comigo, não vê que tudo que faço é pra chamar sua atenção? Só você não enxerga que nós brilhamos juntos?
O cego sou eu, não você.
Minha cabeça dói, acho que bebemos demais ontem à noite. Deixei as chaves em cima da mesa e as correspondências na cozinha. Também te fiz um café e lavei a bagunça que deixou no banheiro. Acho que tem alguma coisa errada com você. Seus olhos sempre parecem querer dizer: “Desculpa, não sei quem eu sou, mas gosto de você”.
Queria cuidar de mim do mesmo jeito que cuido de você, mas isso não mais importa. Vou-me embora para um lugar que não sei bem onde é, mas um dia sei que você também irá. Depois de ter te deixado tão mais maduro, meu bem, acho que isso é uma despedida.
Chegou a hora de pensar no azul desintegrando na chuva, na música. Dizem que é a segunda coisa que se pensa antes de morrer. A primeira é o desespero de saber que vai partir.
Amo muito você.

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