quarta-feira, 2 de junho de 2010

A síntese da amizade

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Ontem eu vi um menino correndo na esquina de minha casa. Aparentemente oito anos, cabelos lisos maltratados, roupas sujas – um maltrapilho. Ele guardava um pote que continha alguma coisa muito especial nas mãos e corria tanto que tenho certeza que levava o vaso pra alguém que amava muito.

A poucos passos atrás dele, vi quando encontrou um buraco no meio do caminho e deixou que o pote caísse e derrubasse tudo! Feijão, arroz, macarrão, coragem...

Espalmado no chão, olhou para trás e, ao me ver vestido em uma farda de um colégio de classe média, sentiu tanta decepção, tanto desgosto que podia sentir o sangue subindo em sua cara – Era vergonha! Sentia-se uma merda em não poder vestir a mesma roupa que eu, sentia-se uma merda em não conseguir dar comida a alguém que amava. Que decepção!

Correndo mais ainda, seguiu a rua e parou ao lado de alguém. Era sua irmã, provavelmente, aquela que receberia a comida que ficara no chão, tão nojenta quanto ele. Nem sequer um olhar ele soltou pra mim quando passei, acho que se sentia humilhado. Mas eu só queria poder abraçá-lo, dizer que estava do lado dele e que estava tudo bem, tudo certo.

Isso não é prosa, é poesia.